Polícia Federal Prende Diretor da ANM em Operação contra Máfia da Mineração

Investigação mira corrupção, crimes ambientais e esquema bilionário de mineração ilegal com
participação de autoridades e políticos.

 

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (17/09) o diretor da ANM (Agência Nacional de Mineração), Caio Mário Trivellato Seabra Filho, em uma operação que apura um suposto esquema de mineração ilegal, corrupção e danos ambientais. A ação mira uma organização criminosa acusada de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro. Seabra Filho, advogado de formação e integrante da cúpula de diretores da ANM, é apenas um dos alvos de uma operação que cumpriu 79 mandados de busca e apreensão, 22 mandados de prisão preventiva e determinou o afastamento de servidores públicos, além do bloqueio e sequestro de bens que somam R$ 1,5 bilhão de investigados, entre pessoas físicas e jurídicas.

Até o momento, 15 pessoas foram presas e duas estão foragidas. O relatório da PF aponta que Caio Mário Trivellato Seabra Filho atuou de forma coordenada com outros integrantes da organização criminosa liderada por Alan Cavalcante do Nascimento, favorecendo interesses privados da quadrilha. Guilherme Gomes, ex-diretor da ANM, também é alvo de prisão. Segundo a investigação, o grupo contava com três líderes: Alan Cavalcante do Nascimento, João Alberto Paixão Lages, ex-deputado estadual de Minas Gerais, e Helder Adriano de Freitas, especialista em mineração. A PF identificou ainda o envolvimento de agentes públicos, políticos e até juízes que auxiliavam a organização. Associações de Ouro Preto/MG relataram diversos danos ambientais, incluindo redução de fontes de água, extração em locais indevidos e desmatamento. A Secretária de Meio Ambiente de Minas Gerais, Marília Carvalho de Melo, chegou a ser ameaçada em razão das denúncias.

O caso ganhou repercussão política após denúncias da deputada federal Eduarda Salabert (PDT-MG), que denunciou a “máfia da mineração” e propôs a CPI da máfia das mineradoras. Segundo ela, o esquema realizava extração ilegal na Serra do Curral, utilizava recursos para financiar campanhas e influenciar autoridades e políticos, além de fraudar licenciamentos ambientais. Salabert também relatou ameaças de morte e ausência de escolta por parte do governador Romeu Zema. Em 25 de setembro de 2025, o Requerimento de audiência pública n.º 111/2025, dos deputados Hugo Leal (PSD-RJ) e Max Lemos (PDT-RJ), foi aprovado para aprofundar as investigações sobre o caso.

O Escritório Fernanda de Paula vê com preocupação o atual cenário do setor minerário, os últimos acontecimentos intensificam a insegurança jurícia e reguatória desse setor tão estratégico para o futuro do Brasil, principalmente com a proximidade de uma regulação dos minerais críticos, as recentes operações evidenciam fragilidades que precisam ser superadas de maneira rápida.

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