Acordo de Cooperação Técnica é firmado entre a Secretaria Nacional de Geologia e Mineração e o Women in Mining Brasil e define marco importante para o setor minerário
O Ministério de Minas e Energia – MME e a Women in Mining Brasil – WIM assinaram, nesta terça-feira, 24/03/2026, um acordo de cooperação técnica com foco na ampliação da participação feminina na mineração. A assinatura ocorreu durante a mesa redonda “Diálogos sobre equidade de gênero: a mulher na mineração”, que reuniu representantes do setor para debater inclusão, diversidade e os principais desafios da área.
A presença do Escritório Fernanda de Paula no evento, por meio da advogada Dra. Larissa de Souza, reforça o acompanhamento atento às discussões mais atuais do direito minerário, sob uma perspectiva feminina, e o compromisso com a valorização do papel das mulheres no setor mineral brasileiro.
Abertura do evento
Conduzida pela diretora institucional da Women in Mining Brasil, Cíntia Rodrigues, a abertura do evento foi marcada pela assinatura do acordo de cooperação técnica que promete avanço na equidade de gênero no setor minerário através de produção de dados, de articulação de iniciativas e do aprimoramento de políticas públicas voltadas à ampliação da participação das mulheres neste setor. Além disso, foi promovida uma mesa redonda com mulheres referências na área, dedicada ao tema “Diálogo sobre Equidade de Gênero: a Mulher na Mineração”.
A secretária nacional de geologia, mineração e transformação mineral do MME, Ana Paula Bittencourt, destacou a relevância do evento como espaço de diálogo e construção de um setor mais inclusivo, ressaltando os desafios ainda enfrentados pelas mulheres na mineração. Enfatizou o compromisso institucional do Ministério de Minas e Energia com a equidade de gênero, evidenciado pela representatividade feminina significativa em sua Secretaria e pela assinatura do acordo de cooperação com a Associação Women in Mining Brasil.
“A pauta das mulheres na mineração não é uma pauta acessória. Ela é uma pauta de desenvolvimento, de inteligência institucional e de futuro”
Foram as palavras que encerram o discurso da secretária, reforçando que a diversidade é elemento estratégico para o desenvolvimento, a inovação e o fortalecimento do setor mineral.
Na sequência, o evento promoveu homenagem a mulheres de destaque no setor mineral, em reconhecimento às suas trajetórias e contribuições. Foram homenageadas: Maria José Gazzi Salum, Lilia Sant Agostino e Ana Paula Bittencourt.
Em seguida, a presidente da WIM Brasil, Patrícia Procópio, apresentou a evolução da entidade, criada em 2019 como movimento e formalizada como associação em 2025, e destacou sua atuação na promoção de uma mineração mais inclusiva, com base em diversidade e interseccionalidade. Também abordou o plano de ação da WIM, estruturado em diretrizes para engajamento do setor, além de iniciativas como produção de dados, cartilhas educativas e atuação em ambientes acadêmicos.
Por fim, chamou atenção para o desafio da permanência das mulheres na mineração e a importância de investir em capacitação, especialmente nas áreas operacionais, para ampliar sua participação.
Bloco 1: promoção e consolidação da equidade de gênero pelo governo e pelas associações
Participaram do debate do Bloco 1, Patrícia Procópio e Patrícia Pego, coordenadora-geral de economia mineral do MME.
A representante do Ministério destacou avanços na equidade de gênero, mas ressaltou desafios como a dupla jornada e a permanência das mulheres no setor. Enfatizou que ações isoladas não são suficientes, reforçando a importância do acordo de cooperação como instrumento multilateral para transformar diretrizes em ações concretas. Patrícia Pego enfatizou que:
“Equidade não é apenas discurso social, mas, sim, ferramenta de resultados concretos”
Ao final, defendeu a necessidade de avanços coordenados e contínuos, expressando a expectativa de que, no futuro, a equidade esteja plenamente incorporada ao setor, tornando desnecessários debates específicos sobre o papel da mulher na mineração. Reforçando a importância dos acordos de cooperação como instrumentos de articulação entre instituições, a representante da WIM destacou os acordos de cooperação como fundamentais para articular esforços entre instituições, apontando avanços, mas também desafios estruturais que ainda afetam a permanência das mulheres. Defendeu a atuação conjunta entre governo, empresas e associações, além de uma visão de futuro baseada em inovação e sustentabilidade para atrair e reter talentos.
Bloco 2: protagonismo feminino – mulheres na liderança redesenhando a cultura da mineração brasileira
A moderadora, Julevania Olegário, diretora do departamento de desenvolvimento sustentável na mineração do MME, abriu o bloco 2 destacando a complexidade do debate sobre equidade de gênero e a interseccionalidade das experiências femininas.
Alice Castilho, diretora de hidrologia e gestão territorial do Serviço Geológico do Brasil – SGB, com base em dados institucionais, destacou que, embora haja crescimento na participação feminina e níveis elevados de qualificação, ainda há sub-representação em áreas técnicas e de liderança. Ressaltou, ainda, que a equidade no ingresso, via concursos públicos, contribui para maior equilíbrio, mas não resolve integralmente questões estruturais da profissão. Deixou, então, a seguinte constatação provocativa sobre o tema:
“Na década de 90 para 2001, houve uma expansão das geociências de um modo geral, em que as meninas chegam, então, a 50% das vagas da universidade. Mas, isso não se reflete no mercado de trabalho. Então, elas entram, mas elas não permanecem.”
Em seguida, Fernanda Calacia destacou os desafios enfrentados pelas mulheres na mineração e a importância de referências femininas, ressaltando avanços recentes e o papel das lideranças na criação de ambientes mais inclusivos. Também apontou práticas como treinamentos contínuos, códigos de conduta, canais de denúncia e escuta ativa como essenciais para transformar o ambiente de trabalho.
Bloco 3: capacitação e operação – o futuro do trabalho feminino na mineração brasileira
Iniciando o último bloco da tarde de debates, Paula Azevedo, advogada integrante do comitê jurídico da WIM Brasil, destacou a importância da permanência das mulheres nos espaços conquistados e o papel das novas gerações nesse processo. Em seguida, questionou a professora Adalene Moreira sobre como as universidades podem atrair mulheres para atuação no campo, além do meio acadêmico.
A professora destacou que as instituições de ensino devem incentivar a entrada e permanência de mulheres nas geociências, com formação prática, parcerias com empresas e fortalecimento do senso de pertencimento. Também ressaltou a importância de referências femininas e da conexão com o mercado para formar profissionais protagonistas no setor.
Também compôs o bloco a superintendente de política regulatória da Agência Nacional de Mineração – ANM, Marina Marques Dalla Costa, destacou que a baixa presença feminina na Agência impacta a formulação de normas, muitas vezes invisibilizando desafios enfrentados pelas mulheres. Defendeu que ampliar essa representatividade, especialmente na liderança, é essencial para uma regulação mais inclusiva e alinhada à realidade.
Para concluir o evento, a advogada Paula Azevedo, de forma bastante ilustrativa, deixou registradas as palavras da Ministra do Supremo Tribunal Federal e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carmen Lúcia:
“Resolveram nos matar. Nós, mulheres, resolvemos viver. Decidiram nos matar de várias formas. Nós, mulheres, decidimos viver de todas as formas, de qualquer forma.
Quiseram matar nossa presença. Nós cuidamos de aparecer. Quiseram matar nossa voz. Nós deliberamos falar.
Quiseram negar espaços públicos e sociais. Nós resolvemos recriar ambientes nos quais também nos coubessem. Impuseram-nos sapatos apertados e incômodos. Aprendemos a correr com saltos.
E cuidamos de traçar caminhos novos, mesmo nos tropeços, e nas arapucas das sendas afirmadas para um mundo de decisões apenas dos machos. ”





